O nó de Pábio Mossoró
A ausência do atual secretário do Entorno do Distrito Federal e ex-prefeito de Valparaíso de Goiás por dois mandatos na pré-campanha eleitoral deste ano tem provocado estranheza, ruídos internos e sinais de infidelidade entre lideranças históricas de seu grupo político.
Reconhecido como a principal liderança do município, com alta avaliação popular e um retrospecto invicto nas urnas, Mossoró foi peça-chave para a consolidação do mandato da deputada estadual Dra. Zeli, sua ex-vice-prefeita, e também para a eleição de seu sucessor, Marcus Vinícius, que alcançou a maior votação da história política local. Trata-se de um capital político robusto e consolidado.
Apesar desse histórico, Mossoró permanece, até o momento, sem anunciar publicamente qual cargo pretende disputar em 2026. A indefinição tem alimentado especulações, intensificado o assédio de outros projetos estaduais e provocado movimentações consideradas desleais por parte de vereadores e lideranças que orbitavam seu grupo.
Nos bastidores, a avaliação é de que a demora contrasta com o estilo estratégico que sempre marcou suas campanhas anteriores, quando definia com antecedência o rumo eleitoral e saía à frente na articulação política. No cenário atual, o silêncio abre espaço para incertezas e enfraquece a coesão interna.
Questionado na semana passada, Mossoró afirmou que aguarda um direcionamento da coordenação de campanha do governador Ronaldo Caiado. Segundo ele, é preciso compreender qual será o papel esperado: candidatura a deputado estadual, deputado federal ou atuação mais incisiva na coordenação regional da campanha no Entorno. O secretário sinalizou que a definição deve ocorrer ainda em fevereiro, após o Carnaval.
Analistas políticos observam, contudo, que o maior grupo hegemônico da cidade foi estruturado sob a liderança de Mossoró. Nesse contexto, aliados defendem que, independentemente da definição majoritária ou proporcional, a manutenção e a mobilização do grupo exigem presença ativa e sinalização clara de comando. A avaliação corrente é que a ausência prolongada pode acelerar um processo de dispersão já perceptível no cenário local.
O chamado “nó” político, portanto, não está apenas na escolha do cargo, mas na urgência de uma definição que restabeleça rumo, disciplina e confiança dentro do grupo que ele próprio construiu.
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